Crônicas de Motel – Reforçando uma velha intriga do futebol paulista

Por Fabiana Silva

Antes de qualquer coisa, eu preciso explicar que a velha intriga a que me refiro no título, trata-se da inquestionável relação do público homossexual com o time paulista Sport Club São Paulo. E embora seja desnecessário, quero esclarecer também que não existe nenhum teor homo fóbico nesta crônica, inclusive acho muito fofo este carinho e identificação do público gay com o time.

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Então vamos direto ao ponto. A história acontece no dia 16/12/12, eu me lembro muito bem a data porque neste dia o meu glorioso time, o Corinthians, sagrava-se Bicampeão Mundial. Também faziam quatro dias da conquista inusitada por W.O, da Copa Sul-Americana de futebol pelo São Paulo.

Era um dia de domingo e eu estava trabalhando. Como a maioria dos leitores do blog deve saber, eu trabalho em um motel. O dia estava um tédio e eu fui atender mais um dos casais que deixavam o motel. Para minha surpresa o casal em questão estava uniformizado com as camisetas do São Paulo e isso teria me passado despercebido, não fosse o fato de ser um casal gay.

Naquele momento eu só queria ligar pro meu irmão e pedir pra ele vir tirar fotos, filmar, entrevistar os caras (risos), mas é claro que isso seria antiético então fica aqui o registro e minha contribuição para reforçar esse símbolo de afinidade tão bonita entre o São Paulo e sua torcida, digamos, exótica.

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Imagine um mundo de funkeiros…

Por Fabiana Silva

Já parou pra pensar como os funkeiros se multiplicam por ai? O tempo que escrevi está frase, nasceram trinta ou mais funkeiros. Quando você terminar de ler esse texto terá nascido centenas deles e não há nada que possamos fazer a respeito. Eles estão se reproduzindo quase que na velocidade da luz e parece que o único intuito deles é cobrir a terra com sua prole e mau gosto musical.

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Imagine as consequências de um mundo cheio de funkeiros. Eu estava começando a escrever esse texto, quando dormi e sonhei com isso. No meu sonho eu tentava escutar uma música, mas percebia que era impossível porque sempre tinha um vizinho ou pessoas passando pelas ruas com seus carros e aparelhos tocando funk. Eles estavam por todos os lados. De manhã no café da manhã, tinha um funkeiro. No armário quando eu ia procurar uma roupa limpa tinha outro com o celular na mão e balançando a cabeça, e até mesmo na minha sala de estar em dia de jogo tinha um funkeiro atrapalhando a audiência do futebol com seu som estridente.

Não era possível andar pelas ruas sem esbarrar em um funkeiro esbarrando em outro e em mais um. Havia um funkeiro a cada metro quadrado. As noções de música de qualidade haviam se extinguido com a mesma proporção em que os funkeiros se multiplicavam. Com o tempo a ideia de que um dia havia existido música inteligente na terra era apenas um mito e a esperança de que músicas de qualidade voltariam a existir uma utopia.

O ritmo glamoroso, o funk, era como emburrecedor instantâneo para os adeptos, que nesta altura dos acontecimentos era a maioria, e para os rebeldes que clandestinamente lutavam por sua extinção, era como uma tortura diária. Eu andava pelas ruas e parecia que todas as pessoas estavam fazendo movimentos toscos com os quadris ou balançando a cabeça no ritmo da música. Eu estava entrando em pânico quando acordei de um pulo e fui direto olhar meus CDs, respirei aliviada eles estavam lá, os lindos Led Zeppelin , Beatles, a lindona da Janis Joplin e todo o resto. Juro que escorreu uma lágrima de felicidade quando descobri que tudo não passou de um pesadelo.

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Crônicas de Motel – Substâncias do assanhamento

Vergonha alheia.

Por Fabiana Silva

A minha rotina de trabalho como recepcionista de um motel não é tão comum como a rotina das recepcionistas por ai. Mas o meu trabalho é bem simples: Eu atendo as pessoas que entram e saem do motel, fazendo na entrada o cadastro e na saída o recebimento do pagamento dos aluguéis das suítes (por favor, não pensem besteira por eu ter usado repetidas variações das palavras “entrar e sair” não foi proposital, juro).

Ai a maioria das pessoas vão me dizer: “Ah, mas você trabalha em um lugar onde as pessoas entram pra fazer algo bom, e saem “desestressadas”, portanto não deve ter muitos problemas”. De fato, em parte isso é verdade. Mas por outro lado, algumas pessoas saem de lá com um alto nível de “substâncias do assanhamento” no sangue, causando situações inusitadas como o dia em que um homem conseguiu me deixar sem palavras (mais uma vez, não pensem bobeira).

Aconteceu assim. Ele estava saindo do motel (antes de acertamos a conta, é realizada uma vistoria na suíte para saber se está em ordem e contabilizar os consumos). O cliente em questão havia deixado a chave na suíte, e a camareira não a localizou de imediato. Então eu pedi ao cliente que verificasse em seu veículo se por acaso ela não estava perdida por ali, ao que ele me respondeu saindo do carro e levantando a camiseta:

– Tudo bem moça, pode me revistar.

– Não moço, não vou te revistar, apenas verifique se a chave não caiu entre os bancos.

Nesse momento, voltei ao telefone e verifiquei que a camareira havia localizado a chave. Comuniquei ao cliente o valor de sua conta e o mesmo me respondeu:

– Poxa moça, pensei que eu ia tirar a roupa pra você me revistar!

Nesse momento eu fiquei vermelha e sem palavras, quando a acompanhante do rapaz – que estava dando “altas risadas” – fez um movimento com as mãos e começou a desabotoar as calças dele. Eu comecei a olhar para o lado, com o rosto queimando de vergonha, mas o rapaz continuou falando:

– Então moça, você não pode sair com os clientes? Eu ia adorar pegar vocês duas…

– Olha moço, poder eu posso, mas eu tenho namorado…

– Eu não tenho ciúmes!

A menina continuava rindo e acariciando o tico do rapaz, e eu incapaz de olhar na direção dele, entreguei o troco toda sem graça e sem resposta. Como ele percebeu que eu não conseguia falar mais nada, deu partida no carro e saiu rindo – provavelmente da minha cara – e eu fiquei literalmente chocada e logo em seguida com uma crise incontrolável de riso e pensando que esse era um casal muito diferente.

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Crônicas de Motel – O outro lado, o de dentro

Eu tinha certa noção de como a realidade sexual das pessoas poderia ser bizarra, ou estranha, pelas histórias que ouvimos por ai, ou por filmes, etc. Pois é, eu tinha uma noção até que comecei a trabalhar como recepcionista de um motel.

Os primeiros dias foram tranquilos, a não ser pelo fato de atender vários homens que conheço que não estavam com suas respectivas esposas, inclusive alguns nunca repetiam as amantes. Outros me surpreendiam pelo fato de suas amantes serem terrivelmente feias em comparação com as titulares, o que me fez pensar que uma parte dos homens não se preocupa muito com o que seus olhos veem ou mesmo com seus pobres pênis.

Outro fator que pode ser considerado uma rotina em um motel, é o sexo grupal e minha primeira experiência desse tipo foi atender quatro rapazes e uma moça (pensou que eu ia falar que já fiz sexo grupal né safadinho?), e sinceramente ela tinha um rosto tão angelical que por um momento tive pena da coitada da taradinha.

Além disso, os sons dos corredores dos motéis são simplesmente hilários! Se você pensa que já ouviu uma mulher gemer e nunca andou no corredor de um motel, meu amigo, você não ouviu nada! Elas gemem em todas as notas e tons alcançáveis e fazem todo tipo de imitação, desde bichos a mamães preocupadas com seus filhinhos – Vem pá mamãezinha vem meu neném dotoso, vem!  – Sim, elas dizem isso em tom de voz de bebê e não posso acreditar que os homens não morram de rir com isso (tudo bem, talvez seja excitante, mas só talvez).

Enfim, trabalhar em um motel é uma experiência singular, tanto pela falta de rotina e histórias engraçadas, como pelo fato de ver e ouvir coisas que nossa imaginação não costuma alcançar (pelo menos não a minha), e por esse motivo atendendo a vários pedidos que eu mesma fiz em frente ao espelho, com este relato dou inicio a mais uma série aqui no blog: “Crônicas de Motel” e em breve contarei histórias picantes e engraçadas, aguardem!

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Crônicas da vida alheia – A pimentinha no meio das pernas

Por Fabiana Silva

Eu estava indo pra casa de ônibus e o percurso iria demorar em torno de cinquenta minutos, então resolvi ler um livro. Estava muito calor e comecei a ficar com sono de modo que não me concentrava no livro, então resolvi tentar dormir um pouco. Foi então que dois rapazes se sentaram a minha frente conversando numa altura que os escutava muito bem. A partir daí nem preciso dizer que inevitavelmente comecei a prestar atenção na conversa.

Um dos rapazes estava contanto uma história para o outro de modo que gesticulava enquanto dizia:

– Então cara, eu estava passando na praça e a garota estava ao lado de um traveco, ela era linda e não parei de olhar e ela respondeu me olhando também, então eu dei mais uma volta em torno da praça e passei novamente por ela. Foi então que o traveco me chamou de longe e disse que ela havia gostado de mim…

– Sei não hein Gustavo, acho que você está invertendo a história, não foi o traveco que te chamou não hein? (risos)

– Não cara to te falando, ela me chamou e antes mesmo de perguntar seu nome eu já estava agarrando ela, mas foi então que o traveco disse – Ei Janaína, mostra pra ele a pimentinha que você tem no meio das pernas – meu coração parecia que ia parar cara…

– (Risos entusiasmados) Não acredito que você pegou um traveco!

– Calma me deixa terminar. Eu fiquei chocado, mas ela disse que era brincadeira do amigo dela e que ela era mulher. Eu não fiquei tranquilo, disse que eu precisava ver a xuranha dela se não nunca mais teria paz. Depois de muito insistir ela me disse que mostraria, então fomos a um cantinho da praça que estava mais escuro e ela me mostrou, mas eu tive que pegar cara pra ter certeza. Agora deixa eu te perguntar uma coisa, não existe cirurgia que faz um homem ter uma xuranha de verdade não né cara?

– Cara, se você pegou nela então acho que era mulher mesmo né… (Risos)

A esta altura eu estava rindo muito por dentro e lamentando o fato de não poder tirar uma onda com esse rapaz. Mas uma coisa é certa, pelo ar de preocupação dele, eu tenho certeza que essa dúvida ficará para o resto de sua vida!

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A importância do ócio

Por Fabiana Silva

Há alguns dias venho me incomodando com uma crescente e repentina urgência em fazer nada. Diria que a preguiça pode ser um dos vícios mais arrasadores e sua aderência é quase instantânea, à medida que se vivem situações propicias a isso. De qualquer modo, vi que tinha uma oportunidade de me retirar do mundo, me entregar ao mau humor causado pelo ócio e todas as vantagens que somente fazer nada pode oferecer.

Recolhi-me a mim mesma, repensei, entre outras coisas, a vida. Por mais intrigante que possa parecer me deu muito trabalho não fazer nada por um tempo. E mais, foi extremamente proveitoso, como uma viagem acompanhada de uma espécie de outra eu, embora esse detalhe possa soar desesperador para quem me conhece, imagine outra de mim?

Pois bem, confesso que tive certa dificuldade de concentração com meu eu interior e imaginário, que já estava até dialogando comigo, mas isso devido à preocupação com a crise na arbitragem brasileira que quase me tirou o foco. Até pensei em algum tipo de relaxamento chinês, de concentração e busca interior, mas isso não funciona com pessoas hiperativas, ou devo atribuir a preguiça mesmo?

Mas em seguida veio à libertação total, dormi doze horas seguidas, e devo dizer que para quem sofre de insônia foi estranhamente prazeroso.  Acordei pensando que algo importante deveria acontecer, pois embora eu não estivesse fazendo nada, estava em meio a grandes descobertas. Mas não aconteceu nada. Ou melhor, fome. Comi desesperadamente, afinal foram doze horas ininterruptas de sono. Eu estava com o corpo quebrado e com uma fome digna de um cidadão etíope.

E nas noites seguintes eu repeti a façanha, dormi, comi e dormi. Esvaziei o cérebro e desliguei por uns dias a minha vida. Ou melhor, coloquei a vida em câmera lenta, e fiquei ranzinza feito uma velha neurótica despenteada e louca, pelos cantos da casa sem pressa de viver. Então no meu último dia de recolhimento interior, acordei com meu pé comichando e meio que me suplicando para andar. Resolvi que era hora de parar, ou melhor, de parar de parar.

 Inesperadamente, após esses longos dias, eu tinha uma nova imagem da vida e do homem como um todo. Percebi que o ócio é um dos pilares da vida do ser humano, o ócio pode ser revelador, o ócio deveria ser estipulado como matéria escolar – imagine uma aula de ócio antes do intervalo? – ou como um dia da semana exatamente entre o domingo e a segunda, além do mais, não existe melhor forma de autoconhecimento. Nesses dias descobri que meu pé esquerdo é maior que o direito, minha pálpebra direita tem maior caimento sobre o olho que a esquerda e tenho a síndrome das pernas inquietas quando pratico o ócio, mas isso de certa forma me ajuda com a questão da concentração. Por fim, venho por meio desta, incentivar a prática do ócio, pois descobertas como essas, somente ele proporcionará a você!

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Crônicas da vida alheia I – O sedutor

Percebi que tenho o talento incontestável de prestar atenção em conversas alheias. Não que eu seja fofoqueira, não. Eu não saio por ai repassando as informações dessas conversas exceto agora que resolvi escrevê-las aqui no blog. Resolvi criar uma série onde relatarei conversas que presenciei, embora de forma oculta e sem qualquer participação minha; no dia a dia, seja no ônibus, na rua ou em uma fila de banco. Resolvi porque acho que são conversas que têm muito a acrescentar em nossas vidas pacatas. Ok, não há nada de muito útil em escrever sobre conversas alheias, mas eu diria que pode ser um tanto divertido, e sem mais delongas vamos à primeira edição de “Crônicas da vida alheia”, espero que gostem!

Eu estava sentada em uma sala de espera de uma empresa onde eu precisava retirar uns documentos. E como eu sou muito sortuda, cheguei justamente no horário de almoço da moça que iria falar comigo, ou seja, teria que ficar pelo menos uma hora esperando isso dependendo da vontade dela em me atender. Como eu não tinha o que fazer durante esse tempo e estava sem fones de ouvido pra escutar uma música qualquer, resolvi prestar atenção na conversa do guarda que fazia a segurança do local com uma atendente da recepção.

Logo que comecei a ouvir a conversa percebi que a menina estava desiludida com seu romance e o cara, embora casado, estava louco pra pegá-la em sua carência afetiva. O rapaz estava escutando pagode no viva voz do celular e olhava de maneira intensa pra qualquer mulher que passasse por perto, o que me levou a pensar que ele poderia ter problemas hormonais.

O diálogo prosseguia:

– Eu posso ser feia, mas não sou uma monstra né? Eu consigo coisa melhor!

– Claro que você consegue! E você tá certa, tem que curtir a vida, isso sim! Esse fim de semana mesmo, eu sai sem minha mulher e foi como se eu tirasse um peso das costas!

– Mas eu tô preocupada sabe, minha menstruação deveria ter vindo dia 09 e até agora nada (com ar de pesar).

Depois de ouvir a última frase, eu precisei me controlar pra não rir. Depois fiquei com certa vergonha alheia da garota, que em seu auge da desilusão fazia esse tipo de desabafo.

– Faz o seguinte, espera sua menstruação vir, e depois que você estiver tranquila com isso, vamos ao pagode comigo?

– Vou sim, quero me libertar!

Eu fiquei ali olhando pros dois sem esboçar nenhuma expressão, mas pensando em como uma mulher pode ficar vulnerável quando está carente. Por fim a moça chegou e eu consegui pegar os documentos com ela, ao sair o guarda perguntou:

– E então, deu certo moça?

– Sim, depois de uma hora e meia né! (risos)

– Poxa vida, mas pelo menos você me fez companhia aqui né! – Disse o rapaz forçando um ar sedutor e me olhando de cima abaixo, quando pude concluir que de fato ele tinha problemas hormonais.

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